Claro que eu não espero que os ministros do TSE entendam de Internet e conheçam todo seu potencial, ferramentas, etc. Mas eu até esperava que eles tivessem por lá uma equipe de apoio mais bem informada.
Com a canetada dada na última semana, o Tribunal não só nivelou por baixo as possibilidades de uso da Internet nas campanhas municipais como deu um gigaaaante passo pra trás: determinou que candidato só pode fazer campanha na Internet utilizando seu site. Pior ainda, usou como argumento que isso evitaria que os candidatos mais abastados tivessem alguma vantagem. Pois é justamente o contrário! Com esse parecer, o TSE justamente minou a única oportunidade daqueles candidatos com menos recursos de fazer uma campanha com um pouquinho mais de eficiência pelo meio mais barato.
Além do mais, vale dizer que o movimento de campanhas políticas no mundo inteiro caminha para o uso intensivo das novas tecnologias – mais baratas, mais direcionadas e que dependem da vontade das pessoas para acessar, ao contrário dos invasivos meios tradicionais.
Não é novidade que o maior grupo que acessa a Internet no Brasil é formada principalmente por jovens e adultos com no máximo 28 anos. Pessoas que cada dia consomem menos TV aberta, jornais de papel e que quase não ouvem rádio. Mesmo porque isso seria tirar minutos preciosos de sua navegação diária em redes sociais, blogs, youtube e twitters da vida. Nesse sentido, limitar o uso da Internet nas campanhas do próximo ano é deixar um grupo considerável de eleitores fora do debate eleitoral.
Tenho esperança que este parecer não vá muito além e seja revisto. E que o Tribunal que tem tido comportamento tão justo nos últimos pleitos não jogue o Brasil na pré-história da comunicação política.





